Cadência

8 de agosto de 2010

Estava ofegante, as mãos suavam e o coração não batia, espancava. As pessoas em volta, ao contrário das ideias de sua cabeça, andavam em câmera lenta, falavam em câmera lenta.
Nada do que diziam era interessante, a não ser quando falavam dela. Ela que tinha ficado longe por tanto tempo e agora estava de volta.
Todos haviam se encontrado com Ela, menos a pessoa de mãos suadas e olhos atentos que tentava, a todo custo, se distrair com qualquer coisa que não fosse Ela.
Foi quando aconteceu.
Num segundo que pareceu uma hora, se encontraram, se olharam, sorriram, correram e se abraçaram, num abraço de uma hora que pareceu de um segundo.
A felicidade era tão grande que acelerou ainda mais o coração, e quando achou que ia ter um ataque cardíaco por finalmente estar com Ela, percebeu que estava tendo era um ataque de riso, daqueles que se espalham e contagiam o mundo.
Caminharam de braços dados, com passos cadenciados, para pouco depois cadenciarem também o riso, a respiração, o coração, os movimentos. Seguiam, outra vez de mãos dadas, na mesma direção.

3 pitacos:

Bruno disse...

É engraçado como existem textos que talvez nao seja vc a personagem, mas te vendo fazer tudo como descreve. Adoro vir ler aqui

mari disse...

simplesmente foda!
primeira visita, e garanto que não será a ultima.

Marina disse...

Ideias fixas. Saudade dos tempos em que tinha uma. É tão incômodo que é bom, nos faz sentir vivos. É tão bom que incomoda, não deixa você prestar atenção em mais nada.

Lindo texto, Má. Beijos!